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O NOVO CÂNTICO DOS IMORTAIS

 

                                                  Suely Caldas Schubert

 

O que tu viste amargo,

Doloroso,

Difícil,

O que tu viste breve,

O que tu viste inútil

Foi o que viram os teus olhos humanos,

Esquecidos...

Enganados...

No momento da tua renúncia

Estende sobre a vida

Os teus olhos

E tu verás o que vias:

Mas tu verás melhor...

 

 Cecília Meireles (*)

 

Prende-nos ainda o preconceito. O velho medo de admitir. O constrangimento de quem já negou. A indiferença de quantos não se interessam por voos mais altos. A teimosia dos que só veem o que querem ver. A cegueira dos que mantêm os olhos fechados...

Mas, de súbito, como pássaros em revoada, eles chegam. De toda parte e de lugar nenhum. Para cantar de novo como fizeram antes.

A poesia evola como o aroma dos perfumes raros, rescendendo no ar, impregnando a alma, embelezando a vida. E como num frêmito as fronteiras caem. Porque eles chegam do eterno dia e as suas presenças, embora invisíveis para a maioria, são luzes que não se apagam mais.

 

 

O dia: 09 de julho de 1932. É lançado o primeiro livro mediúnico, de autoria de poetas “mortos”, psicografado por Francisco Cândido Xavier, “Parnaso de Além Túmulo”.

Em suas 156 páginas desfilam 14 poetas que já não pertencem ao mundo dos “vivos”, em 60 produções poéticas. Mas, para perplexidade geral, eles não morreram. Voltam dos túmulos para sacudir, de vez, as arcádias do preconceito e do ceticismo.

Trazem nos novos versos os tons, o ritmo, o estro que jamais perderam.

Iguais, porém,  mudados. Já não veem com os olhos humanos o que viam antes. Por isso mudam a maneira de cantar a vida. São novos cânticos que exalam o perfume da imortalidade.

O Parnaso de Além Túmulo marca o instante mágico da poesia dos imortais.

Eles cantam, e essa melodia preenche os espaços, e o ritmo da vida pulsa, até onde não alcança a precária imaginação de quem não vê além de si mesmo.

 Hoje os poetas aí estão, nessa urgência de dizer aos “vivos” que a morte não existe, para sensibilizá-los e ensinar-lhes o verdadeiro sentido da vida.

Desdobram-se, buscam meios, escolhem médiuns, por cujas mãos deixam escorrer a seiva do seu estro, que ressuma em cada verso o estilo que os identifica e revive. Desde o suave e transcendente lirismo de Auta de Souza, até a verve de Cornélio Pires, passando pelo simbolismo de Cruz e Souza e o romantismo de Olavo Bilac.

Assim, a importância desse livro, A imortalidade dos poetas mortos ,  dos nossos queridos amigos Dalva Silva Souza e  Palhano, ressalta como fator preponderante.

A pesquisa, o meticuloso estudo comparativo, as deduções e conclusões literárias e doutrinárias evidenciam a capacidade dos autores.

Ambos trazem significativo acervo de realizações bem sucedidas tanto no campo profissional, quanto cultural e espírita. Especialmente porque, Dalva e Palhano amam e cultivam a poesia, o que os aproximam, naturalmente, dos integrantes desse parnaso intemporal dos poetas.

 

        A imortalidade dos poetas mortos é o cântico novo e definitivo que vence a impermanência da vida terrena.

A sensação grandiosa que a Doutrina Espírita propicia se expande ao infinito, nos envolve, e, por si só, abre-nos os olhos para vermos melhor o que víamos antes.

 

 

 

Juiz de Fora, julho de ‘1993

 

(*)Cecília Meireles , Cânticos – Cântico XXVI

 

      Prefácio de Suely Caldas Schubert para o livro  A Imortalidade dos poetas mortos , de autoria de Dalva Silva Souza e L. Palhano Jr.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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